E na esquina de uma igreja, num domingo cinza qualquer, lá estava ela;
- Não te via assim há um tempo - chegou ele dizendo.
- Você não me via sob circunstância alguma há um bom tempo - ela retrucou, abraçando-o. - Fumando agora? - o cheiro estava lá, inconfundível, irrefutável.
- Ando fazendo muitas coisas que não sabe, desde que nos vimos pela última vez;
- Sou alérgica a cigarro. Mas poderia fumar um nesse momento - disse, fazendo uma prece mental para o remédio de asma estar no criado mudo ainda. - Ando com uma urgência de vida. Um cigarro e um papo filosófico seria meu refúgio da semana.
Ele tira o maço do bolso, olhando com a aquela cara de “não-quero-corromper-a-moça-de-família, tem-certeza?” com as sobrancelhas arqueadas. Mas ela tinha certeza. Queria. Precisava. E decidiu que não tossiria.
- Continua uma pessoa mais observadora que falante. Não te deixei falar muito também. - disse ela, enquanto ele acendia ambos os cigarros.
Ela tragou. Seu peito se aqueceu com a fumaça morna. Gostou daquilo, lembrava café. E de repente se perguntou como arrancaria aquele cheiro de si antes de chegar em casa. Mas não ligou, continuou seu primeiro cigarro. Na primeira tragada percebeu o que fazia as pessoas se viciarem: Era como a essência de algo.. Um fumante busca algo concentrado, fumando a essência.
- Seres humanos são estúpidos. Eu sou estúpida, eu sei. Mas pelo menos não sou hipócrita. Admito minha estupidez. Alguma filosofia a respeito?
- Humanos são estúpidos porque têm de ser. Acaba se tornando a maneira de ignorar algumas coisas e continuar vivendo. - desabafou ele por entre sua fumaça.
- É. E quem disse que o meu verde é o seu verde? Tudo na vida é convenção. Não acha? Quer dizer, você vê o mundo por você. Como pode me dizer se vemos as mesmas cores? Quem dirá que o mundo não é mais que uma projeção? Lembra desse papo nosso? Já fomos mais inteligentes. E, não fumávamos.
Ele sorriu e soltou aquela risada rouca. O tempo tinha passado um pouco, mas os olhos verdes de esperança eram os mesmos desde que ela se lembrava. Suas expressões também eram as mesmas daquele garotinho da quinta série.
- Nostalgia.. - e então ela percebeu que ele estava olhando pra ela também, com aquele olhar vazio de quem está longe, na memória. Provavelmente se lembrando do rosto redondo e alegre dela. - Ah, infância, nostálgica. E nós com aquela urgência em crescer. Pra quê?
- Pra isso. Pra percebermos que é o agora que nos pertence. Desejar o futuro ou o passado só nos faz perder o agora. - olhou pro outro lado, pensando se teria dito algo muito clichê. - Você me faz tomar cuidado com as palavras. Gosto de quem eu sou com você. - falou baixo, meio que pensando alto com os olhos ainda perdidos no pôr-do-sol.
- O cigarro te deixa ousada. Gosto disso. - ele chegou mais perto. - Isso que a gente tem, de sentar num domingo a tarde e conversar. Teremos com mais alguém?
- Não. Até porque, somos os únicos que nos acompanhamos em nossos papos filosóficos. E com você não tenho medo de ser mal interpretada. Posso dizer que te amo sem medo que ninguém me encha o saco dizendo que estou apaixonada. Somos amigos demais pra esse tipo de besteira.
- É, que seja. Não tenho medo com você também. Ainda viajaremos o mundo, vai ver. - O pôr-do-sol estava em seu ápice, com nuvens rosas e alaranjadas por todo o lado. Pôs a franja dela pro lado e, antes que a moça percebesse, a beijou suavemente os lábios. - Sem medo. - E sorriram.
- Não te via assim há um tempo - chegou ele dizendo.
- Você não me via sob circunstância alguma há um bom tempo - ela retrucou, abraçando-o. - Fumando agora? - o cheiro estava lá, inconfundível, irrefutável.
- Ando fazendo muitas coisas que não sabe, desde que nos vimos pela última vez;
- Sou alérgica a cigarro. Mas poderia fumar um nesse momento - disse, fazendo uma prece mental para o remédio de asma estar no criado mudo ainda. - Ando com uma urgência de vida. Um cigarro e um papo filosófico seria meu refúgio da semana.
Ele tira o maço do bolso, olhando com a aquela cara de “não-quero-corromper-a-moça-de-família, tem-certeza?” com as sobrancelhas arqueadas. Mas ela tinha certeza. Queria. Precisava. E decidiu que não tossiria.
- Continua uma pessoa mais observadora que falante. Não te deixei falar muito também. - disse ela, enquanto ele acendia ambos os cigarros.
Ela tragou. Seu peito se aqueceu com a fumaça morna. Gostou daquilo, lembrava café. E de repente se perguntou como arrancaria aquele cheiro de si antes de chegar em casa. Mas não ligou, continuou seu primeiro cigarro. Na primeira tragada percebeu o que fazia as pessoas se viciarem: Era como a essência de algo.. Um fumante busca algo concentrado, fumando a essência.
- Seres humanos são estúpidos. Eu sou estúpida, eu sei. Mas pelo menos não sou hipócrita. Admito minha estupidez. Alguma filosofia a respeito?
- Humanos são estúpidos porque têm de ser. Acaba se tornando a maneira de ignorar algumas coisas e continuar vivendo. - desabafou ele por entre sua fumaça.
- É. E quem disse que o meu verde é o seu verde? Tudo na vida é convenção. Não acha? Quer dizer, você vê o mundo por você. Como pode me dizer se vemos as mesmas cores? Quem dirá que o mundo não é mais que uma projeção? Lembra desse papo nosso? Já fomos mais inteligentes. E, não fumávamos.
Ele sorriu e soltou aquela risada rouca. O tempo tinha passado um pouco, mas os olhos verdes de esperança eram os mesmos desde que ela se lembrava. Suas expressões também eram as mesmas daquele garotinho da quinta série.
- Nostalgia.. - e então ela percebeu que ele estava olhando pra ela também, com aquele olhar vazio de quem está longe, na memória. Provavelmente se lembrando do rosto redondo e alegre dela. - Ah, infância, nostálgica. E nós com aquela urgência em crescer. Pra quê?
- Pra isso. Pra percebermos que é o agora que nos pertence. Desejar o futuro ou o passado só nos faz perder o agora. - olhou pro outro lado, pensando se teria dito algo muito clichê. - Você me faz tomar cuidado com as palavras. Gosto de quem eu sou com você. - falou baixo, meio que pensando alto com os olhos ainda perdidos no pôr-do-sol.
- O cigarro te deixa ousada. Gosto disso. - ele chegou mais perto. - Isso que a gente tem, de sentar num domingo a tarde e conversar. Teremos com mais alguém?
- Não. Até porque, somos os únicos que nos acompanhamos em nossos papos filosóficos. E com você não tenho medo de ser mal interpretada. Posso dizer que te amo sem medo que ninguém me encha o saco dizendo que estou apaixonada. Somos amigos demais pra esse tipo de besteira.
- É, que seja. Não tenho medo com você também. Ainda viajaremos o mundo, vai ver. - O pôr-do-sol estava em seu ápice, com nuvens rosas e alaranjadas por todo o lado. Pôs a franja dela pro lado e, antes que a moça percebesse, a beijou suavemente os lábios. - Sem medo. - E sorriram.
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(via obviedadesinconvenientes)
- Bella.